O Banco da Inglaterra anunciou mudanças importantes em sua proposta de regulamentação para stablecoins. A instituição decidiu retirar os limites de posse desses ativos e estabelecer um teto temporário de emissão para cada stablecoin sistêmica, em uma medida que busca incentivar a inovação sem comprometer a estabilidade financeira.
A revisão atende parte das demandas do mercado e representa mais um avanço na estratégia do Reino Unido para implementar um ambiente regulado para stablecoins, com previsão de entrada em operação a partir de 2027.
Regras para stablecoins passam por importante revisão
Na proposta inicial apresentada anteriormente, o Banco sugeria limitar a quantidade de stablecoins que pessoas e empresas poderiam manter. O objetivo era reduzir o risco de migração de depósitos bancários para ativos digitais em momentos de instabilidade financeira.
Após a consulta pública e a análise das contribuições do setor, a autoridade monetária decidiu abandonar essa restrição. O regulador entendeu que limites individuais poderiam dificultar o desenvolvimento do mercado e reduzir a adoção das stablecoins em pagamentos e serviços financeiros.
Pela proposta atual, usuários e empresas poderão manter stablecoins sem um limite individual de posse, o que pode favorecer maior circulação desses ativos na economia digital.
Novo teto de emissão busca equilibrar inovação e estabilidade
Apesar da flexibilização para os usuários, ficou definido um limite inicial para a emissão de stablecoins consideradas sistêmicas. O teto foi estabelecido em cerca de US$ 53 bilhões por emissor.
Segundo o banco central, a medida permite acompanhar o crescimento do mercado sem comprometer a estabilidade do sistema financeiro. O valor poderá ser revisado futuramente conforme a evolução da adoção e da infraestrutura regulatória.
Além disso, o regulador manteve a exigência de lastro integral em ativos de alta liquidez, buscando assegurar que os detentores possam resgatar seus fundos de forma segura e previsível.
Reservas ganham flexibilidade com novas regras
Outro ponto relevante da atualização envolve a gestão das reservas que sustentam as stablecoins.
A nova estrutura permite que até 70% dessas reservas sejam aplicadas em títulos públicos de curto prazo do governo britânico. Os 30% restantes deverão permanecer depositados no Banco da Inglaterra.
Na versão anterior, uma parcela maior dos recursos ficaria imobilizada no banco central. Com a revisão, o modelo se torna mais flexível e reduz custos operacionais para os emissores, sem comprometer a liquidez necessária para resgates.
Mais praticidade para pagar boletos com criptomoedas. Kamoney.
Regulamentação prepara mercado para lançamento em 2027
As mudanças fazem parte da construção do marco regulatório britânico para stablecoins utilizadas em pagamentos. O Banco da Inglaterra mantém a consulta pública aberta até 22 de setembro de 2026 e pretende finalizar as regras definitivas até o fim do período.
Caso o cronograma seja mantido, o Reino Unido poderá iniciar a operação de stablecoins regulamentadas em 2027. Esse movimento reforça a estratégia do país de criar um ambiente controlado para o crescimento dos ativos digitais.
Avanço regulatório e impacto no futuro das stablecoins
À medida que mais países avançam na criação de regras específicas para stablecoins, esses ativos tendem a ganhar espaço nos pagamentos digitais e em outras aplicações financeiras.
A atualização do Banco da Inglaterra reforça essa tendência e evidencia o esforço das autoridades em equilibrar inovação, segurança e estabilidade no sistema financeiro global.




