O setor de mineração do Bitcoin, tradicionalmente visto como intensivo em energia, vem passando por uma transformação estratégica nos últimos anos, impulsionada por dois fatores cruciais: a pressão por menores custos operacionais e a crescente demanda por práticas ambiental, social e governança (ESG).
Mineradores de grande porte e projetos industriais estão se voltando para fontes alternativas como nuclear e renováveis para reduzir custos e melhorar sua imagem ambiental.
Novas fontes de energia ganham espaço
O avanço na adoção de energia limpa no ramo minerador não é apenas uma tendência de marketing, mas uma resposta direta à economia da mineração. A rentabilidade da atividade depende fortemente do custo da eletricidade, que representa a maior parte das despesas operacionais e do preço do BTC no mercado. Diante de margens apertadas, mineradores buscam energia barata e estável para garantir competitividade.
Nesse cenário, alternativas como solar, eólica e, mais recentemente, energia nuclear entram em foco. Em reportagem publicada pela reuters no ultimo dia 23, a Engie afirmou que avalia incorporar mineração de Bitcoin ou sistemas de armazenamento de energia em seu grande projeto solar no Brasil, o Assu Sol, com capacidade de 895 MWp de energia renovável, justamente para aproveitar excedente elétrico que a rede não consegue absorver.
Já na Europa, propostas para utilizar energia nuclear excedente das usinas atômicas para mineração de BTC também ganham discussão em círculos políticos e industriais em países como a França. Onde políticos discutem o aproveitamento do excedente de usinas nucleares para alimentar operações de mineração.
Por que a energia nuclear?
A energia nuclear, embora nem sempre classificada como “renovável”, é considerada um tipo de energia de baixa emissão de carbono por muitas organizações ambientais e integradores de ESG, por fornecer energia constante (baseload), diferente de solar e eólica, que dependem do clima. Essa estabilidade é valiosa para operações que exigem eletricidade 24/7, como a mineração de BTC.
Operadores e investidores veem no uso de energia nuclear um potencial para combinar baixo custo com baixa emissão de carbono, reduzindo riscos regulatórios e reforçando a narrativa ambiental da mineração de Bitcoin uma crítica comum à atividade nas últimas décadas.
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Renováveis como base sustentável
Paralelamente à energia nuclear, fontes renováveis ampliam participação na matriz da mineração. O setor registra aumento no uso de energia considerada sustentável na rede do Bitcoin, como solar, eólica e hidrelétrica, à medida que empresas migram para regiões com energia mais barata e abundante.
Diversas empresas também estão criando modelos inovadores de uso de energia renovável. Em vários países, excessos de energia eólica ou solar são convertidos em hash power quando não há demanda local, transformando energia que poderia ser descartada em mineração de BTC de forma lucrativa e ecologicamente responsável.
Impactos no custo de produção
A migração para energia nuclear e renováveis tem efeitos práticos diretos no custo de produção de Bitcoin. Mineradores com acesso a energia barata e previsível conseguem reduzir significativamente seus custos operacionais, com impacto direto na lucratividade, sobretudo em períodos de preço baixo do BTC no mercado.
Em determinados momentos do ciclo de mercado, o preço do BTC já ficou abaixo do custo médio de produção de parte dos mineradores, pressionando ainda mais a busca por energia mais barata e eficiente.
Narrativa ESG e aceitação institucional
Além do aspecto financeiro, a adoção de energia limpa e low-carbon tem forte apelo na agenda ESG — um critério cada vez mais importante para investidores institucionais e grandes fundos. A mineração vista como mais sustentável pode atrair capital que antes evitava o setor devido a preocupações ambientais, ampliando o leque de investidores e possíveis parcerias com empresas de energia e tecnologia.
Essa mudança também influencia a percepção pública e regulamentar, ajudando a mitigar críticas históricas de que o Bitcoin é “sujo” em termos ambientais e tornando a atividade mais alinhada com metas globais de redução de emissões.



