Gráfico

Mercado brasileiro registra avanço das stablecoins frente ao Bitcoin

As stablecoins passaram a ocupar uma posição de destaque no mercado brasileiro de criptoativos. Dados recentes mostram que esses ativos digitais movimentaram, em setembro de 2026, um volume muito superior ao registrado pelo Bitcoin no país.

O movimento reforça uma mudança no perfil das operações com criptomoedas no Brasil, com maior participação de ativos digitais que buscam acompanhar o valor de moedas tradicionais, principalmente o dólar.

Stablecoins lideram movimentação

Segundo dados compilados pelo Índice Biscoint, as stablecoins movimentaram R$ 22,4 bilhões em setembro de 2026. No mesmo período, o Bitcoin registrou R$ 2,2 bilhões, enquanto o Ethereum movimentou R$ 740 milhões.

A diferença mostra que as stablecoins já possuem um papel relevante nas transações realizadas por brasileiros. Entre os motivos está a possibilidade de movimentar valores digitais vinculados a moedas tradicionais sem a necessidade de utilizar diretamente o sistema bancário convencional em todas as operações.

As stablecoins também podem ser utilizadas para transferências, pagamentos e negociação de outros criptoativos. Em determinadas situações, elas funcionam como uma forma de representação digital do dólar ou de outra moeda de referência.

USDT concentra maior parte das operações

Entre as stablecoins utilizadas no Brasil, a Tether (USDT) aparece com ampla liderança.

Dados da Receita Federal mostram que, entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, as stablecoins responderam por aproximadamente R$ 1,13 trilhão dos R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda dos principais criptoativos declaradas ao Fisco. Isso representa 71,7% de todo o volume registrado no período.

A USDT respondeu sozinha por 88,7% do volume declarado em stablecoins nesse intervalo. A USD Coin (USDC) apareceu na sequência, com 7,1%, enquanto a Brazilian Digital Token (BRZ), vinculada ao real, representou 3,4%.

A participação desses ativos também aumentou significativamente ao longo dos anos. Em 2019, as stablecoins representavam 3,5% do volume mensal declarado. Em 2023, chegaram a responder por mais de 90% em determinados meses. Durante 2024 e 2025, permaneceram próximas de 80% do volume mensal.

O que explica o avanço das stablecoins?

Parte desse crescimento está relacionada às características desses ativos. Diferentemente do Bitcoin, cujo preço pode apresentar grandes oscilações, as stablecoins são criadas para manter uma relação de valor próxima à moeda ou ativo ao qual estão vinculadas.

A maior parte das stablecoins utilizadas no mercado é atrelada ao dólar. Isso faz com que esses ativos sejam utilizados em operações que envolvem transferências internacionais, negociação de outros criptoativos e pagamentos digitais.

No Brasil, o crescimento também ocorre em meio a mudanças regulatorias na forma como as operações com criptoativos são acompanhadas pelas autoridades.

Bitcoin, USDT e praticidade em um só lugar. Kamoney

Um novo perfil para o mercado brasileiro

Os números indicam que o mercado brasileiro de criptoativos não está concentrado apenas em Bitcoin e Ethereum. As stablecoins ganharam espaço e passaram a representar uma parcela significativa das operações realizadas no país.

O avanço desses ativos acompanha uma expansão de seus usos, que vão além da negociação de criptomoedas. Transferências, pagamentos e operações internacionais estão entre as aplicações que ajudam a explicar sua crescente presença no mercado brasileiro.