A participação feminina nas operações com criptoativos cresceu de forma significativa no Brasil nos últimos anos. Dados da Receita Federal mostram que as mulheres passaram de 11,34% das operações realizadas por pessoas físicas em agosto de 2019 para cerca de 30% em dezembro de 2025.
O avanço ocorre enquanto o mercado brasileiro amplia sua base de usuários e passa por mudanças na forma de acompanhamento das transações.
Presença feminina avança nas operações
A série histórica da Receita Federal revela uma mudança gradual no perfil dos participantes do mercado. Entre 2019 e 2021, a participação feminina saiu de pouco mais de 10% e avançou gradualmente, chegando a 16,19% das operações em dezembro de 2021. A partir de 2022, o percentual começou a crescer de maneira mais consistente, avançando ao longo de 2023 e alcançando 40,95% em janeiro de 2024.
Depois do pico registrado no início de 2024, houve uma redução e posterior estabilização. Em 2025, os percentuais ficaram, na maior parte do ano, próximos de 28% a 30%, encerrando dezembro em aproximadamente 30%.
A comparação com o início da série mostra a dimensão dessa mudança. Em agosto de 2019, as mulheres representavam 11,34% das operações realizadas por pessoas físicas. Cerca de seis anos depois, a participação estava próxima de um terço das transações.
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Participação financeira permanece menor
Apesar do aumento no número de operações, a participação feminina no valor movimentado continua significativamente inferior. Em dezembro de 2025, as mulheres responderam por cerca de 13% do valor das operações realizadas por pessoas físicas, enquanto os homens concentraram a maior parte do volume financeiro.
A diferença entre quantidade de operações e valor movimentado mostra que o crescimento da presença feminina ocorreu principalmente no número de transações. Ou seja, a participação feminina no número de operações aumentou significativamente, mas esse avanço ainda não se refletiu na mesma proporção sobre o volume financeiro movimentado.
Mercado brasileiro amplia sua base
A mudança no perfil dos participantes acontece em um período de expansão do mercado brasileiro de criptoativos. Uma pesquisa realizada pela ABcripto em parceria com o Datafolha em 2026, estimou que 29 milhões de brasileiros utilizavam ativos virtuais, ante cerca de 25 milhões no levantamento anterior.
O levantamento também apontou avanço no conhecimento da população sobre o segmento, indicando que os criptoativos passaram a fazer parte de um universo mais amplo de usuários no país. Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro passou a contar com novas regras para o acompanhamento das operações.
Os dados da Receita Federal mostram uma transformação gradual no perfil dos participantes do mercado. As mulheres, que representavam pouco mais de 11% das operações de pessoas físicas em 2019, passaram a responder por aproximadamente três em cada dez transações no fim de 2025. Embora a participação no volume financeiro ainda seja menor, o avanço no número de operações evidencia uma presença feminina cada vez mais relevante no mercado brasileiro de ativos digitais.




