Criptomoedas

EUA ampliam sanções contra exchanges de criptomoedas ligadas ao Irã

As sanções dos EUA contra exchanges de criptomoedas ganharam força neste mês de agosto. O Departamento do Tesouro americano anunciou novas medidas contra duas plataformas acusadas de facilitar transações ligadas ao Irã.

A ação atingiu a Shelbit Exchange e a Aban Tether. Além disso, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) sancionou o iraniano Siavash Kayvanpour e empresas associadas a ele.

Segundo o governo americano, as medidas fazem parte de uma campanha para interromper redes financeiras utilizadas pelo regime iraniano e pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

Tesouro dos EUA mira duas exchanges

O OFAC anunciou as novas sanções em 7 de agosto. A medida teve como alvo a Shelbit e a Aban Tether por movimentações de ativos digitais relacionadas a entidades iranianas sancionadas.

De acordo com o Tesouro, carteiras vinculadas à IRGC enviaram mais de US$ 1 milhão em criptomoedas para endereços associados à Shelbit. A agência também identificou mais de US$ 2 milhões em transferências da Shelbit para carteiras ligadas à IRGC.

Além disso, carteiras controladas por Kayvanpour enviaram mais de US$ 2 milhões em ativos digitais para a Nobitex, uma das maiores exchanges de criptomoedas do Irã. A plataforma já havia sido sancionada pelos EUA em junho.

No caso da Aban Tether, o Tesouro afirmou que a plataforma processou milhões de dólares em transações envolvendo exchanges iranianas que já estavam sob sanções americanas. Entre elas estão Nobitex, Wallex, Bitpin e Ramzinex.

Shelbit também aparece em investigação anterior

A decisão contra a Shelbit ocorreu poucos dias depois de uma investigação da Reuters sobre as movimentações da plataforma.

Segundo a agência, a exchange sediada em Dubai teria participado de uma estrutura de movimentação de recursos estimada em US$ 4 bilhões. A investigação apontou conexões com operações relacionadas ao banco central iraniano, redes de apostas ilegais e endereços associados à IRGC.

A Shelbit, por sua vez, negou envolvimento consciente com lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo, apostas ilegais ou evasão de sanções. A empresa afirmou que havia encerrado suas operações em janeiro de 2026.

O caso também chamou a atenção das autoridades dos Emirados Árabes Unidos. A autoridade reguladora de ativos virtuais de Dubai, VARA, havia apontado violações relacionadas às regras contra lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.

Nobitex já estava na mira dos EUA

As novas medidas fazem parte de uma sequência de ações contra o mercado de criptomoedas iraniano.

Em junho, o Tesouro americano sancionou a Nobitex e outras três exchanges iranianas: Wallex, Bitpin e Ramzinex. Na ocasião, o governo afirmou que a Nobitex havia processado mais de 50% das entradas de ativos digitais no Irã durante 2025.

O Tesouro também alegou que a plataforma ajudou o governo iraniano a movimentar recursos e acessar serviços de criptomoedas fora do país.

A OFAC reforçou posteriormente que pessoas e instituições de fora dos Estados Unidos também podem enfrentar riscos de sanções ao realizar determinadas transações com essas exchanges iranianas.

Segundo a agência, o risco pode alcançar instituições financeiras estrangeiras e outras empresas que forneçam suporte financeiro, tecnológico ou material às plataformas sancionadas.

Criptomoedas entram no foco das sanções financeiras

A ofensiva mostra como os Estados Unidos passaram a incluir exchanges e outros participantes do mercado de ativos digitais em suas ações contra redes financeiras ligadas ao Irã.

A OFAC estabelece que exchanges iranianas de ativos digitais podem ser consideradas instituições financeiras iranianas para fins de sanções. Por isso, seus ativos e interesses em propriedade sob jurisdição americana podem ser bloqueados.

Além disso, a utilização de blockchain não elimina a possibilidade de rastreamento das transações. Embora as criptomoedas permitam transferências sem a intermediação direta de bancos tradicionais, movimentações registradas em redes públicas podem ser analisadas por empresas especializadas e autoridades.

Esse fator tem aumentado a importância das ferramentas de análise de blockchain nas investigações financeiras.

Stablecoins também ganham atenção

As medidas ainda reforçam a atenção sobre as stablecoins utilizadas em operações relacionadas ao Irã.

Em junho, o Tesouro americano afirmou que a Nobitex ajudou o banco central iraniano a acessar centenas de milhões de dólares em stablecoins. A alegação mostra por que emissores e plataformas precisam monitorar endereços associados a entidades sancionadas.

Em outro episódio, ocorrido no mesmo contexto de pressão contra o Irã, cerca de US$ 131 milhões em ativos digitais mantidos em quatro carteiras ligadas ao banco central iraniano foram congelados. A medida envolveu a Tether, emissora do USDT.

O movimento evidencia que as sanções não estão concentradas apenas nas exchanges. Carteiras, emissores de stablecoins, instituições financeiras e empresas que fornecem infraestrutura também podem ser afetados quando surgem vínculos com entidades bloqueadas.

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O que as novas sanções representam para o mercado

As novas sanções contra Shelbit e Aban Tether ampliam a pressão dos Estados Unidos sobre redes financeiras ligadas ao Irã. O caso também mostra como autoridades utilizam o rastreamento de blockchain para identificar movimentações suspeitas e possíveis tentativas de contornar sanções.

Para as empresas do setor, a medida reforça a importância do monitoramento de transações e do cumprimento das regras internacionais. A atuação das autoridades indica que exchanges e outros serviços de ativos digitais estão cada vez mais sujeitos a controles financeiros e regulatórios.